Assim como aconteceu comigo há alguns anos atrás, quando comecei a me interessar pela Boa Música,
é provável que muita gente não saiba quem foi, por exemplo,
Teddy Vieira,
Goiá ou
Antenógenes Silva,
mas, com certeza, quase todos conhecem grandes sucessos como "Menino da Porteira",
"Saudade da Minha Terra" ou "Saudade de Matão" que continuam sendo gravados até hoje pelos
melhores intérpretes!
Quero, nessa página, homenagear um tipo de personagem de fundamental importância para a nossa
Música Caipira Raiz e que no entanto "quase não aparece", ou seja, é mui pouco divulgado.
Quando ouvimos a música nas emissoras de rádio, o locutor, na maioria das vezes, costuma
mencionar apenas o nome da mesma e do intérprete (isso quando menciona, pois muitas emissoras
apenas tocam a música sem nada dizer sobre a mesma); também na Internet, quando encontramos
links musicais, é comum vermos apenas o nome da composição e do intérprete, sem mencionar o
nome do(s) compositor(es).
Considero uma injustiça o fato de termos em geral tanta dificuldade em saber o nome de quem
compôs o trabalho do qual tanto gostamos e que nem sempre é de autoria do intérprete! Até
mesmo as capas dos LP's e CD's costumam omitir a informação e muitas vezes precisamos ler
o nome dos autores das músicas no rótulo do LP ou então dentro do encarte do CD, pois nas
"contra-capas", muitas vezes consta apenas e tão somente o nome da música!
Temos alguns exemplos clássicos na nossa Boa Música Brasileira que podem causar confusão e fazer
até com que não acertemos na hora da compra de um disco, pois não basta saber o nome da música:
é preciso também saber o nome do autor da mesma. Temos por exemplo duas belíssimas músicas
que foram gravadas por Nélson Gonçalves e também por Roberto Luna, cujo nome é "Castigo": uma
delas foi composta por Dolores Duran ("A gente briga / Diz tanta coisa que não quer
dizer..." ) e a outra foi composta por Lupicínio Rodrigues e Alcides Gonçalves ("Eu
sabia que você um dia me procuraria em busca de paz...").
E, na Música Caipira Raiz, temos também um exemplo de duas músicas gravadas por
Tião Carreiro e Pardinho
em dois discos diferentes e que possuem o mesmo nome, porém de diferentes compositores:
"Novo Amor" (Jesus Belmiro - Lourival dos Santos) ("Você não é mais meu grande amor /
não adianta querer voltar...") e "Novo Amor" (Retrato e Retrois) ("Estes
versos tão tristes que eu canto / só você pode compreender...").
Os compositores são de fundamental importância na criação musical, assim como um belo quadro
jamais existiria se não tivesse sido pintado. E, no caso de um quadro, é comum até
ser chamado não pelo nome da obra, mas pelo nome do pintor ("O milionário adquiriu um Van
Gogh naquele leilão por 10 milhões de dólares...").
Para ilustrar a real importância do Compositor, quero contar um "causo" que me foi contado pelo
excelente compositor
Roberto Stanganelli,
o qual também está presente nessa página:
Conta-se que um matuto possuía na gaiola dois belíssimos canários, dos quais um ficava o
tempo todo quietinho, sem sair do lugar e sem emitir nenhum som, enquanto que o outro cantava
e alegrava o ambiente durante horas a fio!
Até que apareceu um "cumpadre" que queria comprar a ave canora a qualquer preço, mas somente o
passarinho que cantava. Ao que o matuto respondeu que só venderia se fossem os dois juntos e
com a gaiola! De outra forma, nada feito!!
- Mas, por quê, ocê só vende os dois?!
- É porque aquele que está quietinho alí no seu cantinho é que compõe o que o outro está
sempre a cantar... É o Compositor!!
Pensando nessa importância fundamental, foi que resolvi criar essa página dedicada a
COMPOSITORES E POETAS
da Música Caipira Raiz
Lógico que grandes intérpretes também foram e/ou ainda são grandes compositores, como por
exemplo
João Pacífico,
Raul Torres,
Serrinha,
Tonico e Tinoco,
Tião Carreiro,
Carreirinho,
Teixeirinha,
Rolando Boldrin,
Pena Branca e Xavantinho,
Zé Mulato e Cassiano,
Renato Teixeira e
Almir Sater,
os quais possuem páginas a eles dedicadas nesse site.
Cornélio Pires e seu sobrinho
Ariowaldo Pires, o Capitão Furtado
também foram grandes composítores que, devido à sua importância
histórica fundamental no começo de tudo na Música Caipira, também têm páginas a eles dedicadas.
Alguns deles inclusive não compuseram apenas Repertório Caipira, como é o caso de
Antenógenes Silva,
Catulo da Paixão Cearense,
Zica Bergami e
Joubert de Carvalho,
que compuseram também
Modinhas, Serestas e outros estilos da Boa Música Brasileira, alguns dos quais bem próximos
do Erudito. Como exemplo, podemos citar "Maringá" (Joubert de Carvalho) a qual foi composta
no piano, embora tenha um "Sabor Bem Caipira" na interpretação de excelentes intérpretes tais
como
Pena Branca e
Tonico e Tinoco.
Clique no nome do compositor desejado e a página rolará automaticamente para a sua
respectiva biografia resumida:
Ado Benatti
Aleixinho
Anacleto Rosas Jr.
Antenógenes Silva
Athos Campos
Bariani Ortêncio
Biá
Caetano Erba
Capitão Barduíno
Catulo da Paixão Cearense
Comendador Biguá
Dino Franco
Elpídio dos Santos
Ely Camargo
Genésio Tocantins
Goiá
Jeca Mineiro
Jesus Belmiro
José Fortuna
Joubert de Carvalho
Juraíldes da Cruz
Laureano
Lourival dos Santos
Mário Zan
Moacyr dos Santos
Nhô Pai
Nonô Basílio
Palmeira
Patativa do Assaré
Piraci
Roberto Stanganelli
Sulino
Teddy Vieira
Tião do Carro
Valdemar Reis
Zacarias Mourão
Zica Bergami
Ado Benatti:

Nasceu em Taquaritinga-SP no dia 23/09/1908 e faleceu em Pirapora do Bom Jesus-SP no dia
04/11/1962.
Iniciou sua carreira artística compondo emboladas e cantando em programas de
calouros. Em 1939 atuou na Rádio Educadora Paulista com o Regional de Caxangá, cantando
emboladas. Mais tarde seguiu para a Rádio Difusora de São Paulo.
Deixou de cantar em 1940 e passou a se dedicar mais à composição. Tornou-se popular com o
pseudônimo de Zé do Mato e em 1947 teve sua primeira composição gravada: a Moda de Viola
“Destino de um Caboclo” (Ado Benatti - Tonico), na interpretação da dupla
Tonico e Tinoco
na Continental. A partir daí, passou a se dedicar exclusivamente ao gênero Sertanejo, com
inúmeras composições gravadas pelos mais renomados intérpretes e duplas caipiras, tais como
"
Palmeira
e Biá", "
Serrinha
e Caboclinho", "Zé Carreiro e
Carreirinho",
"Tonico e Tinoco",
Inezita Barroso,
"Sulino
e Marrueiro", Duo Guarujá,
"Cascatinha e Inhana" e
"Vieira e Vieirinha",
entre outros.
Foi também autor de várias peças caipiras, entre elas, “O Filho do Sapateiro”, “Sindicato dos
Malucos”, “Arma Secreta” (em colaboração com Humberto Pelegrini) e “Mão Criminosa” (em
colaboração com
Tonico e Tinoco).
Publicou também diversos livros de poemas e contos populares.
Algumas composições de Ado Benatti:
A Dama de Vermelho (Jeca Mineiro - Ado Benatti)
Adeus Querida (Ado Benatti - Arlindo Pinto)
As Duas Cruis De Ferro (Ado Benatti - Limeira)
A Volta do Corumba (Ado Benatti - Sulino)
Bandeirante Fernão (Ado Benatti - Campos Negreiro)
Besta Ruana (Ado Benatti - Tonico)
Bom Jesus de Pirapora (Ado Benatti - Serrinha)
Burro de Aço (Ado Benatti - Serrinha)
Caçador De Esmeraldas (Ado Benatti - Cascatinha - Campos Negreiros)
Chofer da Estrada (Ado Benatti – Luizinho)
Destino de um Caboclo (Ado Benatti - Tonico)
Encontro Divino (Piraci - Ado Benatti)
Mandamentos do Chofer (Ado Benatti - Sulino)
O Azar É Festa (Ado Benatti - João Izidoro Pereira "Zé do Rancho")
O Fim Do Zé Carreiro (Ado Benatti - Serrinha)
O Gosto do Caipira (Luiz Lauro - Ado Benatti)
Pé na Tábua (Ado Benatti - Luizinho - Biguá)
Promessa Do Batistinha (Moacyr dos Santos - Ado Benatti - Marrueiro)
Rosa De Sangue (Ado Benatti - Luizinho)
Sagrado Ofício (Teddy Vieira - Ado Benatti)
Santa Cecília (Ado Benatti - Carlos Piazolli)
São Cristóvão (Luizinho - Ado Benatti)
Terra De Anchieta (Ado Benatti - Poly)
Triste Lembrança (Piraci - Ado Benatti)
Vida De Barbeiro (Luizinho - Ado Benatti)
Violeiro Sem Medo (Ado Benatti - Brinquinho - Lourival dos Santos)
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Aleixinho:

José Paulo Bueno nasceu em Piracaia-SP em 1927. Com apenas treze anos já cantava em dupla
com seu irmão Alcides, tendo passado por diversas cidades do Interior Paulista, tais como a
sua própria Piracaia natal, além de Nazaré Paulista, Joanópolis, Bragança Paulista e Atibaia.
Na década de 1940, José Paulo fez seu primeiro trabalho no Rádio com o programa "A Voz de
Piracaia"; na mesma época, participou também de diversos espetáculos circenses e foi vencedor
do Festival de Violeiros de Joanópolis-SP.
Foi em 1954 que Aleixinho compôs a célebre “Mãe Amorosa” (Tanabi - Aleixinho), homenageando
sua própria mãe que ficara em Piracaia-SP, enquanto ele seguia sua carreira artística na
Cidade Grande! Gravada pela primeira vez somente em 1966, foi com "Mãe Amorosa" que Aleixinho
conquistou o reconhecimento dos admiradores da Música Caipira Raiz em todo o Brasil. E essa
belíssima composição continua sendo gravada até hoje por artistas do quilate de
Abel e Caim,
Vadico e Vidoco,
Pedro Bento e Zé da Estrada e
Sérgio Reis,
apenas para citar alguns.
Ainda na década de 1950, Aleixinho foi contratado pela Rádio Padre Bento em Guarulhos-SP, cidade
onde mora até hoje. Em 1955, Aleixinho foi vencedor no Festival de Violeiros da Rádio Clube de
Santo André. E, em 1956, foi apresentador de um programa sertanejo na extinta Rádio São Paulo.

Em 1977 Aleixinho passou a cantar em dupla com seu filho Hélio Bueno. A nova dupla participou
do primeiro programa “Canta Viola” na TV Record de São Paulo-SP e, em 1983, Aleixinho e Hélio
Bueno se apresentaram pela primeira vez no "Viola Minha Viola" que vai ao ar pela
TV Cultura
de São Paulo, apresentado pela "Madrinha"
Inezita Barroso.
Desde então, foram centenas de shows em cidades do Interior Paulista e também em diversos
Estados Brasileiros.
Aleixinho também teve diversos reconhecimentos na década de 1990, dentre os quais, o
Destaque Cultural na Area de Música, na Semana de Educação e Cultura, promovido pela
Secretaria de Cultura de Guarulhos-SP, em 1990, ano no qual foi também homenageado pelos seus
50 anos de carreira, pela Super Rádio Tupi, no programa Arte Brasil. Recebeu também o
o título de Cidadão Guarulhense, em 1992. E, em 1998, foi homenageado pelo programa Viola Viva,
com o apoio da Secretaria de Cultura de Guarulhos-SP.

Aleixinho continua cantando em dupla com seu filho Hélio Bueno, além de tocar a Viola Caipira,
dançar Catira, declamar poemas e contar piadas e "causos". E, de acordo com suas próprias
palavras,
"continua compondo quando vem inspiração (...) não forçando para compor; há
momentos menos férteis e outros em que compõe bastante..." E suas composições musicais
continuam sendo gravadas por excelentes intérpretes tais como
Cacique e Pajé,
Brazando e Brazandinho,
Pininha e Verinha,
Tapajós e Tocantins, Joseval e Joseane, Duo Canto da Terra,
Rodrigo Mattos,
Os Favoritos da Catira e também as
Irmãs Galvão,
dentre muitos outros.
Contato para shows:
Falar com Zé Leite (divulgador Música Caipira Raiz no programa “No Mourão
Da Porteira” que vai ao ar pela Rádio Regional de Guarulhos - FM 88,7 MHz - aos Domingos das
11:00 às 13:00):
(11) 6481-5227
Celular: (11) 9675-1739
Algumas composições de Aleixinho:
A Força Da Viola (Cacique - Aleixinho)
Bonito Avião (Aleixinho - Cacique - Antonio L. Duarte)
Caipira Feliz (Zé Batuta - Aleixinho)
Dose De Amor (Aleixinho - Cacique)
Índios Do Brasil (Cacique - Aleixinho)
João Corisco (Tião do Carro - Aleixinho)
Mãe Amorosa (Tanabi - Aleixinho)
Meu Lugar É Na Roça (Aleixinho - Cacique)
Não Sei O Que É Que Eu Tenho (Athos Campos - Aleixinho)
Pai Protetor (Jesus do Chapéu - Aleixinho - Rodrigo Mattos)
Última Mancada (Aleixinho - Oswanil Vieira Pinto - Cacique)
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Anacleto Rosas Jr.:

Nasceu em 18/07/1911 em Mogi das Cruzes-SP e faleceu em 04/02/1978 em Taubaté-SP. Filho de
Anacleto Rosas, Espanhol e de dona Maria Bourdon, Italiana. Após morar algum tempo em Poá-SP,
seguiu para São Paulo-SP onde em 1942, conheceu o
Capitão Furtado,
que se interessou por suas composições e o apresentou a
Palmeira e
Piraci,
que em 1944 gravaram pela Continental sua primeira composição, a toada "Promessa de Caboclo".
Anacleto foi compositor de Música Caipira sem nunca ter estudado música: compunha com o Violão
nas mãos. Suas primeiras composições, feitas por volta de 1930, foram rancheiras, valseados,
sambas e tangos.
Sua obra foi gravada por diversos intérpretes, tais como
"Tonico e Tinoco"
e também "Luizinho e Limeira".
Foram seus parceiros de composição, entre outros,
Tonico,
Serrinha,
Ado Benatti e
Brioso. Arlindo Pinto, foi seu maior parceiro, com o qual compôs mais de 20 músicas.
Um de seus maiores sucessos, foi o valseado "Os Três Boiadeiros", um Clássico Caipira que
conta a longa viagem dos amigos tocando a boiada e dos percalços sofridos; foi gravada por
Pedro Bento e Zé da Estrada
e também por
Sérgio Reis.

Outro grande sucesso de Anacleto Rosas Jr. foi "Aparecida do Norte", em parceria com Tonico:
a música foi composta dentro de um ônibus, quando Anacleto voltava da cidade de Aparecida-SP,
onde vendia seus discos. Anacleto foi o primeiro compositor a homenagear a cidade e a Santa
Padroeira do Brasil, Nossa Senhora de Aparecida.
Anacleto também teve um programa de rádio que se iniciava com a seguinte frase:
"Acoooorda muierada! Vão prepará o leite do marido que ele tem que trabaiá! Bota a
garrafa prá fora que o caminhão vai passá!".
Foi autor de cerca de 430 composições, segundo dados da “Revista Sertaneja” de 1959, e 60
delas foram feitas para a dupla
Tonico e Tinoco.
Em 1960, Anacleto foi também diretor artístico do Selo Sabiá da gravadora Copacabana.
Recebeu o título de “Cidadão Taubateano” em 1977, um ano antes do seu falecimento.
Algumas composições de Anacleto Rosas Jr.:
A Cruz Do Caminho (Anacleto Rosas Jr. - Arlindo Pinto)
A Fronha (Belmonte - Anacleto Rosas Jr.)
A Morte do Canoeiro (Anacleto Rosas Jr.)
Aparecida do Norte (Dia do Sertanejo) (Anacleto Rosas Jr. - Tonico)
Baldrana Macia (Anacleto Rosas Jr. - Arlindo Pinto)
Boi De Carro (Anacleto Rosas Jr. - Tinoco)
Boi Penacho (Anacleto Rosas Jr.)
Brasil (Arlindo Pinto - Anacleto Rosas Jr.)
Burro Picaço (Anacleto Rosas Jr. - Geraldo Costa)
Caboclo (Capitão Barduíno - Anacleto Rosas Jr.)
Cavalo Preto (Anacleto Rosas Jr.)
Cortando Estradão (Anacleto Rosas Jr.)
Filho de Mato Grosso (Anacleto Rosas Jr.)
Flor Cobiçada (Anacleto Rosas Jr. - Sulino)
Fogo no Rancho (Anacleto Rosas Jr. - Elpídio dos Santos)
Londrina Rainha (Anacleto Rosas Jr.)
Luar de Aquidauana (Zacarias Mourão - Anacleto Rosas Jr.)
Mil E Quinhentas Cabeças (Anacleto Rosas Jr.)
Moda do Pescador (Anacleto Rosas Jr. - Serrinha)
Não Sinto Saudade (Anacleto Rosas Jr. - Patativa)
Não Sou Gaúcho (Anacleto Rosas Jr. - Torino)
Noite De Lua (Zé Cocão - Anacleto Rosas Jr.)
Os Três Boiadeiros (Anacleto Rosas Jr.)
Peito Magoado (Anacleto Rosas Jr.)
Promessa De Caboclo (Anacleto Rosas Jr.)
Querência Amada (Anacleto Rosas Jr. - Luizinho)
Rancho Vazio (Anacleto Rosas Jr. - Arlindo Pinto)
Recado (Anacleto Rosas Jr. - Arlindo Pinto)
Rei Da Guasca (Anacleto Rosas Jr. - Tonico)
Romaria (Anacleto Rosas Jr. - Dois Turunas)
Solteiro É Mió (Anacleto Rosas Jr.)
Triste Despedida (Tonico - Tinoco - Anacleto Rosas Jr.)
Trucada (Anacleto Rosas Jr. - Limeira)
Zé Valente (Anacleto Rosas Jr.)
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Antenógenes Silva:

Antônio Honório da Silva, ou Antenógenes Silva, Compositor e Acordeonista, conhecido como “O Mago do Acordeon”. Nasceu em Uberaba MG, em 30/10/1906, onde fez os seus primeiros estudos. Aprendeu a tocar Acordeon e também estudou Teoria Musical. Faleceu no Rio de Janeiro no dia 09/03/2001.
Em 1929 fez suas primeiras gravações, em solo de Acordeon, na RCA-Victor: o choro “Gostei da tua Caída”, a valsa “Norma”, o maxixe “Saudade de Uberaba” e a valsa “Feliz de Quem Ama” (todas de sua autoria). Autor de sucessos como: “Alegria” (1933), as valsas “Pisando Corações” (com Ernâni Campos, 1936) e “Saudades de Matão” (com Jorge Gallatti e Raul Torres, 1937) (esta conhecidíssima valsa descoberta por
Raul Torres
na Estação Ferroviária de Bebedouro-SP, e que gerou inúmeras controvérsias com relação à autoria da mesma), “Saudades de Petrópolis” (1942), “Mês de Maria” (1947) e outros mais.
Manteve também durante vários anos no Rio de Janeiro uma escola de Acordeon para
profissionais, que incluía cursos de teoria, solfejo e harmonia.
Trabalhou no rádio e na TV, onde apresentou o programa “O Rancho Alegre de Paulo Bob”. Em 1957, ganhou o primeiro prêmio num festival na Alemanha tocando Sanfona de Oito Baixos.
Antenógenes Silva faleceu em 09/03/2001 no Rio de Janeiro, aos 94 anos, vítima de
insuficiência renal.
Algumas composições de Antenógenes Silva:
Alegria (Antenógenes Silva)
Até O Mar Chorou (Antenógenes Silva)
Feliz de quem Ama (Antenógenes Silva)
Gostei da tua Caída (Antenógenes Silva)
Norma (Antenógenes Silva)
Pisando Corações (Antenógenes Silva - Ernani Campos)
Saudade de Uberaba (Antenógenes Silva)
Saudade Que Eu Tenho (Antenógenes Silva - De Moraes)
Saudades de Matão (Antenógenes Silva – Jorge Galatti – Raul Torres)
Saudades de Ouro Preto (adapt.: Antenógenes Silva - Edmundo Lys)
Se Amas, és Feliz (Antenógenes Silva - Oswaldo Santiago)
Sueli (Antenógenes Silva - Miguel de Lima)
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Athos Campos:
Athos Campos, assim como
Rolando Boldrin,
possui também o nome artístico igual ao seu nome completo. Nasceu em 14/07/1923 na cidade de
Bebedouro-SP e faleceu no dia 01/11/1992 em Bragança Paulista-SP.
Compositor, Violeiro, Folclorista e Radialista, em 1939, com apenas 16 anos de idade,
em parceria com
Serrinha,
compôs "Chitãozinho e Xororó", sua primeira música que foi justamente o seu maior sucesso, e
que foi regravada várias dezenas de vezes pelos mais renomados intérpretes da Música Caipira
Raiz tais como "
Tonico e Tinoco", "
Serrinha e Caboclinho", "
Serrinha e
Zé do Rancho" e "
Pedro Bento e Zé da Estrada",
apenas para citar alguns.

Essa belíssima composição conta a estória do "inhambuxintã" e do "inhambuxororó"
(Crypturellus tataupa e Crypturellus parvirostris, respectivamente, dois pássaros
da família dos Inhambus) e ressalta também a beleza e a simplicidade da vida
no campo, mesmo vivendo num "ranchinho amarradinho de cipó", sem vizinhos ao redor, ouvindo o
canto do galo carijó, além dos pios da coruja, do jaó, do "inhambu-chitã" e do "xororó". Na foto
acima e à esquerda, o Inhambuxintã.

E na foto à direita, o "inhambuxororó", que em outras regiões é também conhecido como "sururina":
a mesma "sururina" que à tarde "chora a sua viuvêz" que foi imortalizada no belíssimo poema
do "Luar do Sertão" (
Catulo da Paixão Cearense - João Pernambuco). Ver também artigo sobre o "inhambuxororó" no
Blog O Violeiro
em matéria publicada pelo "Cumpadre" Luiz Viola em 10/02/2005, intitulada "Etimologia Enviolada".
Athos Campos também foi radialista na Capital Paulista e, durante 17 anos foi produtor do
excelente programa "Viola Minha Viola" na
TV Cultura
de São Paulo-SP, apresentado por
Inezita Barroso.
Athos Campos passou a residir em Mairiporã-SP no final da década de 1930, tendo inclusive
composto o Hino Municipal da respectiva cidade, a qual se orgulha de ter sido a terra querida e
amada pelo compositor.
Além de "Chitãozinho e Xororó" (Serrinha - Athos Campos), Athos Campos também compôs outras
belíssimas obras-primas do repertório Caipira Raiz, dentre elas, "Sinhazinha" (Athos Campos -
Índio Vago), "Bate na Viola" (Athos Campos), "Samba de Roda (Athos Campos - Geraldo Meireles)"
e "Viola Sem Defeito" (Athos Campos), apenas para citar algumas.
Fazendo imitações de animais, Athos Campos também participou do primeiro LP da dupla
Chitãozinho e Xororó ("Os Garotinhos Do Paraná"), quando eles ainda eram adolescentes e não
haviam "mudado a voz"; e nesse LP, os meninos também interpretaram sua célebre composição que
também deu o nome à nova dupla que surgia! Curiosamente, a preferida de Athos Campos não era
famosa toada já mencionada que homenageia os dois passarinhos. A que ele mais gostava era
"Sinhazinha" (Athos Campos - Índio Vago).
Athos Campos foi, sem dúvida, um dos artistas mais importantes do nosso país e sempre defendeu
as Raízes Culturais do povo. Através de seus programas de rádio e TV, costumava sempre denunciar
o mercantilismo que já começava a deturpar a Música Caipira Raiz.
Lamentavelmente, Athos Campos veio a falecer no dia 01/11/1992 em Bragança Paulista-SP em
precárias condições financeiras, não tendo podido tratar eficientemente de duas pneumonias e
de dois derrames de que foi vítima. Seus últimos dias ele passou fazendo diálises no porão da
casa de sua filha num abandono total...
Algumas composições de Athos Campos:
A Saudade Continua (Athos Campos - Índio Vago)
Bate Na Viola (Athos Campos)
Boiada Saudosa (Athos Campos - Serrinha)
Chitãozinho e Xororó (Athos Campos - Serrinha)
Não Sei O Que É Que Eu Tenho (Athos Campos - Aleixinho)
Onde Canta O Chororó (Athos Campos)
Samba De Roda (Athos Campos - Geraldo Meireles)
Sinhazinha (Athos Campos - Índio Vago)
Viola Sem Defeito (Athos Campos)
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Bariani Ortêncio:

Nascido em Igarapava-SP, Valdomiro Bariani Ortêncio, além de Compositor, é também Escritor,
Pesquisador da Cultura Popular e Presidente da Comissão Goiana de Folclore, além de ser
também membro da Academia Goiana de Letras.
Como escritor, publicou diversos livros, dentre os quais
"Dicionário do Brasil Central" - Editora Ática - 1983,
"O Homem Que Não Teimava" - Editora Saraiva - 2000,
"Cartilha do Folclore Brasileiro" - Editora da UCG - Universidade Católica de Goiás - 1997,
"O Enigma do Saco Azul" - Editora Atual,
"Cozinha Goiana - Estudo e Receituário" - Kelps Editora - 2001 e
"Medicina Popular do Centro-Oeste" (1997).
Caso deseje, o Apreciador poderá adquirir livros escritos por Bariani Ortêncio na
Submarino. Para isso, basta clicar no "banner" abaixo:
Como compositor, Valdomiro é autor de tangos, guarânias, congadas e corridos, entre outros
ritmos e teve suas primeiras composições gravadas a partir de 1957, por diversos intérpretes,
dentre os quais "Irmãs Santos", "Duo Paranaense", "Trio da Vitória", "Duo Estrela D'Alva" e
"Duo Guarujá", entre outros.
Também a Orquestra e Coro RGE gravou a marcha "Brasília, 21 de abril",
que homenageou a inauguração da nova Capital Federal, em 21/04/1960.
Além de seu excelente trabalho pelo Folclore e pela Boa Música Brasileira, esse
"Paulista de
Coração Goiano", também é famoso pelo seu "Bazar Paulistinha" (o "Bazar do Valdomiro") em
Goiânia-GO, que é inclusive citado em diversos clássicos do repertório Caipira Raiz, como por
exemplo "Pagode em Brasília" (Lourival dos Santos - Teddy Vieira), "Visita a Goiás"
(Goiá - Sidon Barbosa) e "Saudade de Goiás" (Goiá - Amaraí). O "Bazar do Valdomiro" pode ser
visitado no
Goiania-Shop.
Algumas composições de Bariani Ortêncio:
13 de Dezembro (Valdomiro Bariani Ortêncio)
A Última Serenata (Valdomiro Bariani Ortêncio)
Acalma Coração (Valdomiro Bariani Ortêncio)
Brasília, 21 de Abril (Valdomiro Bariani Ortêncio)
Despedindo de Ti (Valdomiro Bariani Ortêncio - Rezendinho)
Destinos Iguais (Valdomiro Bariani Ortêncio - Caetano Somma)
Entre Copas (Valdomiro Bariani Ortêncio - Zacarias Mourão - João de Deus)
Folia de São João (Valdomiro Bariani Ortêncio)
Folia do Divino (Valdomiro Bariani Ortêncio)
Galo de Briga (Valdomiro Bariani Ortêncio - Augusto Roselen)
Não me Pergunte (Valdomiro Bariani Ortêncio - Nízio)
Não Saberei Sofrer (Valdomiro Bariani Ortêncio)
No Abandono (Valdomiro Bariani Ortêncio)
Nossa Senhora da Guia (Valdomiro Bariani Ortêncio)
O Que é o Amor (Valdomiro Bariani Ortêncio - Zacarias Mourão)
Quinta Comarca (Valdomiro Bariani Ortêncio - Odilon Faria)
Santa Isabel (Valdomiro Bariani Ortêncio)
Senhora da Abadia (Valdomiro Bariani Ortêncio)
Voltarás (Valdomiro Bariani Ortêncio - Heitor Cardoso)
Vou-se Embora (Valdomiro Bariani Ortêncio - Ramiro Hernández)
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Biá:

Sebastião Alves da Cunha, o Sabiá e, posteriormente, o Biá, nasceu em Coromandel-MG em 1927.
Após algum tempo trabalhando como garimpeiro, Sebastião iniciou a carreira artística em Araguari-MG no ano de 1947,
formando o trio "Sabiá-Canarinho-Albertinho", juntamente com seu irmão Elias e o acordeonista paulista Alberto Calçada
(Alberto de Souza Calçada nasceu em São Paulo-SP no dia 06/08/1929 e faleceu também na Capital Paulista no dia 29/07/1983 -
celebrizou-se por excelentes interpretações de diversas Valsas de Zequinha de Abreu, tais como "Branca", "Aurora", "Tardes
em Lindóia", "Último Beijo" e "Rosa Desfolhada").
Seu irmão Elias mais tarde integrou o "Trio Gaúcho", com o nome artístico Gauchito.
O Trio "Sabiá-Canarinho-Albertinho" atuou na Rádio Araguari até 1950, ano em que os três músicos seguiram para a Capital
Paulista e passaram a se apresentar em diversos programas, tais como "Hora dos Municípios" (de Blota Junior na Rádio Record)
e "Arraial da Curva Torta" (do
Capitão Furtado
na Rádio Difusora). No mesmo ano, Sebastião resolveu encurtar o nome artístico (Sabiá) para Biá.
O trio porém acabou por se desfazer e Biá formou então uma dupla com o Mariano (Mariano da Silva que já integrou a
inesquecível Turma de
Cornélio Pires
juntamente com seu irmão, o Caçula - Mariano e Caçula também foram respectivamente pai e tio do acordeonista Caçulinha –
conhecidíssimo na Rede Globo). "Biá e Mariano" gravaram, na ocasião, "Onde Foi Você" (Bolinha) e "Pelejo Prá Te Deixar"
(Biá - Gauchinho), na gravadora Continental (hoje Warner Music).
A dupla com Mariano foi desfeita e Biá formou então, em 1952, outra dupla, dessa vez com Diogo Mulero, o
Palmeira:
a famosíssima dupla "Palmeira e Biá", que fez sucesso durante oito anos.

Palmeira e Biá foram contratados pela Rádio Piratininga para o programa que ia ao ar todas as Terças-Feiras às 21:00.
E a dupla era também acompanhada pelo já mencionado acordeonista Alberto Calçada. No primeiro ano de existência,
a dupla chegou a gravar 10 discos 78 RPM, ou seja, quase um por mês!
Dentre os diversos sucessos da dupla "Palmeira e Biá", merecem destaque "Garimpeiro do Brasil" (Biá), "A Voz Dos
Sinos" (J. M. Alves), "Baião Da Serra Grande" (Palmeira - Fred Williams), "O Milagre De Tambaú" (Palmeira - Teddy Vieira),
"Couro De Boi" (Palmeira - Teddy Vieira), "Disco Voador" (Palmeira), além do famosíssimo bolero caipira "Boneca Cobiçada"
(Biá - Bolinha), que foi gravado em 1956.
Inusitado, para a época, incluindo novas temáticas, arranjos e instrumentação, esse bolero caipira que Biá compôs em
parceria com Euclides Pereira Rangel (o Bolinha), permaneceu por mais de 10 semanas nas paradas de sucesso, tendo vendido
mais de 500 mil cópias, ocasião na qual
Palmeira
foi nomeado Diretor Artístico dos discos sertanejos da RCA (hoje BMG).
Esse bolero tornou-se um clássico não só na Música Sertaneja, mas também na MPB de um modo geral, já que também foi
gravado por diversos artistas renomados, do quilate de Carlos Galhardo, além de ter dado origem a um filme homônimo.
Eis abaixo a letra de ""Boneca Cobiçada" (Biá - Bolinha):
Quando eu te conheci,
Do amor desiludida
Fiz tudo e consegui
Dar vida à tua vida.
Dois meses de aventura,
O nosso amor viveu
Dois meses com ternura,
Beijei os lábios teus.
Porém eu já sabia
Que perto estava o fim
Pois tu não conseguias
Viver só pra mim.
Eu poderei morrer,
Mas os meus versos, não.
Minha voz hás de ouvir,
Ferindo o coração!
Boneca cobiçada,
Das noites de sereno
Teu corpo não tem dono,
Teus lábios tem veneno...
Se queres que eu sofra,
É grande o teu engano
Pois olha nos meus olhos,
Vê que não estou chorando!
E "Boneca Cobiçada" ganhou também em 1957 uma versão satírica gravada pelo famoso humorista Zé Fidélis (Gino Cortopassi,
nascido em São Paulo-SP em 23/09/1910 e falecido em 1985 também em São Paulo-SP), intitulada
"Boneca Cabeçuda",
também em ritmo de bolero.
Consta também que Biá chegou a formar com seu conterrâneo a dupla "Biá e Goiá" na década de 1950, na Capital Paulista. Na
ocasião, o compositor
Goiá,
(nascido também em Coromandel-MG) já havia deixado o Trio "Goiá, Goiazinho e Zé Micuim" e também já havia trocado Goiania-GO
pela Paulicéia Desvairada.
E, em 1961, Sebastião passou a cantar em dupla com seu outro irmão, o Sílvio: a dupla "Biá e Biazinho" gravou o LP
"Relíquias Sertanejas". No ano seguinte, Biá gravou na Chantecler (hoje Warner Music) um LP no qual fez uma
"dupla
com ele mesmo": "Um Cantor Em Duas Vozes", tendo usado o nome de Sid Biá.
Mais tarde, juntamente com
Dorinho
(o mesmo da famosa dupla com
Nenete),
Biá formou a dupla "Dorinho e Biá" a qual gravou três LP's, entre 1966 e 1968.
Biá também atuou na Rádio Nacional de São Paulo-SP, com o conjunto "Biá e Seus Batutas" (formado por Biá, Sirley e Gonzales),
ocasião na qual gravou também o LP "Os Grandes Sucessos de Palmeira e Biá", na gravadora Cantagalo, onde Biá trabalhou
também como Diretor Artístico. Esse conjunto voltou a se reunir em 1982, a convite do Selo Rodeio da gravadora Warner Music,
para a gravação de mais um LP.
E foi em 1972 que Biá formou com
Dino Franco
a famosa dupla "Biá e Dino Franco", dupla que gravou diversos LP's destacando-se, dentre outras, músicas como "Cruz do Meu
Rosário" (Biá - Sílvio Cunha), "Encontro de Poetas" (João Pacífico), "Travessia do Araguaia" (Dino Franco - Dicró dos
Santos), "Que Será De Nós" (Dino Franco - Nhô Cido) e "Pescador Do Luaí" (Dino Franco - Adolfinho), composição que também
foi utilizada como fundo musical em um documentário da B.B.C. de Londres! A dupla durou até o ano de 1979 quando
Dino Franco
resolveu encerrar a carreira artística, ainda que de forma temporária.
De acordo com Ayrton Mugnaini Jr. na página 56 de seu livro "Enciclopédia das Músicas Sertanejas",
"Biá poderia disputar
com
Raul Torres
uma menção no Guinness como o cantor sertanejo que cantou em maior número de duplas".
Biá foi ainda Produtor Sertanejo da Rádio Tupi de São Paulo-SP (a qual fechou suas portas em 1980, juntamente com a
inesquecível primeira emissora brasileira de televisão); e, na Rádio Imprensa FM, também de São Paulo-SP, Biá apresentou, de
1984 a 1986, um programa que foi, por sinal, o primeiro programa sertanejo numa emissora FM em todo o Brasil.
Um acidente doméstico no entanto fez com que Biá interrompesse em definitivo sua carreira artística, no ano de 1987.
Algumas composições de Biá:
ABC Do Coração (Palmeira - Biá)
A Andorinha (Biá - João Borges)
Amigo Heleu (Biá - J. M. Alves)
A Volta Da Morena (Palmeira - Biá)
Boneca Cobiçada (Biá - Bolinha)
Calúnia (Palmeira - Biá)
Céu De Goiás (Palmeira - Biá)
Coração Sabe O Que Faz (Biá - Bolinha)
Cruz Do Meu Rosário (Biá - Sílvio Cunha)
Dois Corações (Palmeira - Biá)
Flor Do Lodo (Biá - Goiá)
Garimpeiro do Brasil (Biá)
Pelejo Prá Te Deixar (Biá - Gauchinho)
Resposta Do Couro De Boi (Palmeira - Biá)
Se Ela Voltasse (Biá - Bolinha)
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Caetano Erba:

José Caetano Erba nasceu no dia 11/09/1937 em Pederneiras, SP. Juntamente com seus pais,
trabalhou nas lavouras de café até os 18 anos.
Desde os 11 anos já escrevia seus primeiros versos, influenciado que foi pela convivência com
as freqüentes festas da roça, catiras e bailes de terreiros onde ouvia a música de violeiros,
sanfoneiros e cantadores da região e adjacências que por lá se apresentavam. Em 1958, formou-se
em Contabilidade e dois anos depois foi trabalhar no extinto “Banco de São Paulo S.A”, ocasião
na qual se mudou para a Paulicéia Desvairada, onde ocupou o cargo de bancário até 1976.
Em São Paulo, conheceu
João Salvador Perez, o
Tonico,
através de
Craveiro e Cravinho,
que foi, inclusive a dupla que gravou em 1968 a primeira composição de Caetano Erba,
"Pai da Aviação".
Participou também de diversos festivais sertanejos, tendo obtido o segundo lugar nos de Santa
Izabel e também no da inauguração do Parque Ecológico, em São Paulo-SP. Tirou o primeiro lugar
nos concursos de Garça-SP e Jacareí-SP. Em 1972, recebeu o título de "Cidadão Pederneirense".
Participou de diversos programas de rádio na Capital Paulista e também foi jurado em diversos
festivais, em cidades como Santo André-SP, Jacareí-SP e Guarulhos-SP.
Também foi José Caetano Erba que escreveu o prefácio do livro "Da Beira da Tuia ao Teatro
Municipal", escrito por
Tonico e Tinoco.
Diversos intérpretes gravaram e continuam gravando suas composições, entre os quais,
Craveiro e Cravinho,
Tonico e Tinoco,
Liu e Léu,
Vieira e Vieirinha,
Cacique e Pajé,
Mococa e Paraíso,
Pena Branca e Xavantinho,
Tião do Carro e
Jackson Antunes”,
apenas para citar alguns.

José Caetano Erba esteve presente no Programa “Viola Minha Viola” que foi ao ar no dia
28/05/2003 na
TV Cultura
de São Paulo, apresentado pela
Inezita Barroso,
programa no qual estiveram presentes, entre outros, interpretando suas composições,
Pena Branca
com o conjunto "Viola de Nóis" (que na época ainda se chamava "Mano Véio"),
"César e Paulinho" e também a dupla “
Tião do Carro
e Odilon”.
Pena Branca
interpretou inclusive a belíssima composição "Procissão de Gado" (Caetano Erba -
Xavantinho
-
Tião do Carro).
E, segundo,
Inezita,
José Caetano Erba é um
"Poeta Paulista que as antologias ainda não registram por pura
ingratidão"...

Tive recentemente o prazer de conhecer pessoalmente esse grande Compositor e Poeta na
Praça Caipira do Vila Country na Paulicéia Desvairada, no dia 04/11/2003, por ocasião do
5º. aniversário do Programa
Celia e Celma,
que vai ao ar pelo Canal Rural.
Algumas composições de Caetano Erba:
A Formiguinha (Tião do Carro - José Caetano Erba)
A Mudança (Tião do Carro - José Caetano Erba)
A Volta do Filho (Tião do Carro - Caetano Erba)
Berço de Espinhos (José Caetano Erba - Tião do Carro)
Cabritinha de Ouro (Caetano Erba - Da Costa - Cacique)
Cadeira de Balanço (Caetano Erba - Paraíso)
Campo de Batalha (Caetano Erba - Cacique)
Capiau (Caetano Erba - Tião do Carro)
Interpretada por Júlio César e Santiago (2)
Caquinho de Saudade (Tião do Carro - José Caetano Erba)
Casa de Infância (Caetano Erba - Luciano - Cacique)
Cobra Enrolada (Caetano Erba - Cacique)
Cortina Dourada (Tião do Carro - José Caetano Erba)
Dr. Coração (Tião do Carro - José Caetano Erba)
Dr. da Agricultura (Tonico - Tinoco - José Caetano Erba)
Duelo Sem Espada (Tião do Carro - José Caetano Erba)
Fazenda do Braga (Caetano Erba - Cacique - Russo)
Francisco de Assis (Tião do Carro - Caetano Erba)
Garganta do Mundo (Tião do Carro - Caetano Erba)
Graça Divina (José Caetano Erba - Rodrigo Mattos - Barbosa)
Hino Sertanejo (Tonico - José Caetano Erba)
Joãozinho Da Favela (Tião do Carro - José Caetano Erba)
Lembrança do Carreiro (José Caetano Erba - Ramiro Vióla)
Lembranças do Meu Pai (José Caetano Erba - Mazinho Quevedo)
Mãe De Carvão (Tião do Carro - Caetano Erba)
Mala de Ouro (Tião do Carro - José Caetano Erba)
Meu Cachorro Fiel (Tonico - Tinoco - Caetano Erba)
Meu Pai (Tião do Carro - Caetano Erba)
Meu Retrato (Tião do Carro - Caetano Erba)
Moça Canavieira (Tião do Carro - José Caetano Erba)
Natal no Sertão (Tonico - Caetano Erba)
Nóis É Do Mato Mais Nóis Conhece (Cézar - José Caetano Erba)
O Cachorro e o Andarilho (Tião do Carro - José Caetano Erba)
O Escravo (Caetano Erba - Paraíso)
O Homem de Sorte (Caetano Erba - José Luís - Cacique)
O Repórter Andarilho (Tião do Carro - José Caetano Erba)
Joãozinho Da Favela (Tião do Carro - José Caetano Erba)
Patrono do Infinito (Tião do Carro - José Caetano Erba)
Peões Veteranos (José Caetano Erba - Cacique)
Primeiro Brinquedo (Tião do Carro - José Caetano Erba)
Procissão de Gado (Caetano Erba - Xavantinho - Tião do Carro)
Puro Caboclo (Tião do Carro - José Caetano Erba)
Recado de Carreiro (Tião do Carro - José Caetano Erba)
Saco de Ouro (Paraíso - Caetano Erba)
Sala dos Milagres (José Caetano Erba - Rodrigo Mattos - Gina)
Sem Terra E Sem Caminho (Tião do Carro - José Caetano Erba)
34 Anos (Tonico - Tinoco - José Caetano Erba)
33 Anos (Tonico - José Caetano Erba)
Um Peso, Duas Medidas (Tião do Carro - José Caetano Erba)
Velhos Retratos (José Caetano Erba - Rodrigo Mattos)
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Capitão Barduíno:

Pedro Anestori Marigliani, o Capitão Barduíno nasceu em Socorro-SP no dia 13/11/1904 e faleceu em São Paulo-SP no dia 01/08/1967. Filho de italianos, como se pode observar no sobrenome, desde criança sonhava trabalhar em rádio.
Em 1937, foi levado pelo
Ariowaldo Pires, o Capitão Furtado,
à Odeon, onde estreou como compositor, quando “Nhá Zefa e Juca Matias” lançaram sua Moda de
Viola
“Casá?!... Só Ansim” (Capitão Barduíno - Nhá Zefa (Maria de Léo)).
Foi em 1939, na Rádio Bandeirantes, de São Paulo-SP, quando foi contratado por Otávio Gabus
Mendes, diretor artístico da emissora, que Pedro Anestori Marigliani acabou recebendo o apelido
pelo qual ficou conhecido em toda a sua carreira artística.
Capitão Barduíno também comandou o programa ”Brasil Caboclo” na Rádio Bandeirantes, que era na
época o programa de maior audiência no Brasil. A mesma emissora também apresentava o programa
“Na Serra da Mantiqueira”, que era comandado pelo
Comendador Biguá,
outro grande sucesso do Rádio.
Um fato curioso é que na mesma época, as meninas iniciantes
Mary Zuil Galvão
(Ourinhos-SP 04/05/1940) e
Marilene Galvão
(Palmital-SP 27/04/1942), as
Irmãs Galvão,
desde 1954 se apresentavam nessa emissora (inicialmente no programa “Na Serra da Mantiqueira”
e posteriormente no “Brasil Caboclo”) e seus nomes já eram pronunciados com admiração pelos
profissionais e ouvintes.
E, ouvindo o programa “Brasil Caboclo”, comandado pelo Capitão Barduíno, foi que
Diogo Mullero,
também conhecido como
Palmeira,
que era na época diretor artístico da RCA, “previu o futuro" da dupla feminina e convidou
Mary e Marilene
para gravar seu primeiro disco, o que aconteceu no Rio de Janeiro em 1957.
Capitão Barduíno dedicou-se esporadicamente à composição; merece destaque a belíssima
mensagem na letra de “A Enxada e a Caneta” (Capitão Barduíno - Teddy Vieira), lançada por
Zico e Zeca
na gravadora Columbia, e gravada também por outros renomados intérpretes, tais como
Nestor da Viola e também
Lourenço e Lourival.
Como redator e apresentador de programas de rádio, destacou-se também com o programa
“A Câmara dos Despeitados”, sátira política que fez também bastante sucesso na época.
E, em sua homenagem, a SP-08, Estrada que liga os municípios de Bragança Paulista-SP e
Socorro-SP, recebeu o nome de Rodovia Capitão Barduíno.
Ao contrário dos demais compositores e poetas homenageados nessa página, há pouquíssima
informação disponível sobre o Capitão Barduíno e seus dados biográficos foram encontrados
somente no
Dicionário Cravo Albin de Música Popular Brasileira
e na
Enciclopédia Musical Brasileira.
Algumas composições de Capitão Barduíno:
Abre a Janela (Capitão Barduíno - Piraci)
A Enxada e a Caneta (Capitão Barduíno - Teddy Vieira)
A Vingança do Soldado (Capitão Barduíno - Chiquinho)
Caboclo (Capitão Barduíno - Anacleto Rosas Jr.)
Carmen Miranda (Palmeira - Capitão Barduíno)
Casá?!... Só Ansim (Capitão Barduíno - Nhá Zefa)
La Gilota (Capitão Barduíno)
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Catulo da Paixão Cearense:

Catulo da Paixão Cearense (São Luís-MA 08/10/1863 – Rio de Janeiro-RJ 01/05/1946): Nascido na
verdade em 1866, como ele mesmo confidenciou. Apesar do nome com que era conhecido, ele era
Maranhense e morou no Estado do Ceará dos 10 aos 17 anos de idade.
Em 1880, seguiu
com a família para o Rio de Janeiro. Com Flauta e Violão freqüentava as rodas dos estudantes
cariocas, o que não era visto com bom olhos pelo seu pai que era dono de uma loja de ourives
e relojoaria.
Na época, o Violão era desprezado e perseguido, “sinônimo de malandragem” e, na
época de Catulo, foi adquirindo prestígio nos “Salões da Elite” (Naturalmente, não podemos nos
esquecer também do excelente Dilermando Reis que popularizou o tão célebre Instrumento Musical,
que por sinal é o meu instrumento musical preferido).
Grande parte do trabalho de Catulo da
Paixão Cearense foi voltada às Modinhas e Serestas, no entanto, ao citar esse nome é realmente
inevitável que nos venham à lembrança os versos de seu famoso “Luar do Sertão” (Catulo da
Paixão Cearense – João Pernambuco):
”Não há, oh gente, oh não
Luar como esse do sertão...”
Quanto à autoria de “Luar do Sertão”, por “falhas na impressão” na edição partitura original,
ficou esquecido e negligenciado o co-autor João Pernambuco, que, ao que consta, torna-se cada
vez mais evidente que o nome dele não deve ser omitido juntamente com o do Catulo na autoria
da célebre composição. No CD “Ribeirão Encheu”, de
Pena Branca e Xavantinho,
gravado pela
Velas,
a excelente dupla fez também um belo registro dessa composição e o nome de João
Pernambuco aparece como co-autor juntamente com o de Catulo da Paixão Cearense.
Ao que consta, nenhum intérprete gravou até hoje o belíssimo "Luar do Sertão" na íntegra, já
que esse Verdadeiro Poema, segundo informações, possui um total de 12 estrofes mais o refrão.
De acordo com o compositor
Roberto Stanganelli,
o Poema originalmente ocupava todo o conteúdo de um Livro, a exemplo do "Canto Geral" do Poeta Chileno Pablo Neruda.
Adauto Santos
chegou a gravar 7 estrofes da belíssima composição, em seu excelente CD intitulado
"Varanda Sertaneja" (gravado pela
Movieplay).
Eis a seguir a letra de "Luar do Sertão" (Catulo da Paixão Cearense - João Pernambuco), com 9
estrofes e o refrão: a letra
"menos incompleta" que consegui encontrar até o
momento:
Oh! Que saudades do luar da minha terra
Lá na serra branquejando folhas secas pelo chão!
Este luar cá da cidade tão escuro
Não tem aquela saudade do luar lá do sertão.
Não há, oh gente, oh! não,
Luar como esse do sertão!
Se a lua nasce por detrás da verde mata
Mais parece um sol de prata prateando a solidão.
E a gente pega na viola que ponteia,
E a canção é a lua cheia a nos nascer no coracao!
Não há, oh gente, oh! não,
Luar como esse do sertao!
Quando vermelha no sertão desponta a lua
Dentro d'alma onde flutua também rubra nasce a dor!
E a lua sobe e o sangue muda em claridade
E a nossa dor muda em saudade branca... assim... da mesma cor.
Não há, oh gente, oh! não,
Luar como esse do sertão!
Ai!... Quem me dera que eu morresse lá na serra,
Abraçado à minha terra e dormindo de uma vez!
Ser enterrado numa grota pequenina,
Onde à tarde, a sururina chora a sua viuvez!
Não há, oh gente, oh! não,
Luar como esse do sertao!
Diz uma trova, que o sertão todo conhece,
Que se, à noite, o céu floresce, nos encanta, e nos seduz,
É porque rouba dos sertões as flores belas,
Com que faz essas estrelas lá do seu jardim de luz!!
Não há, oh gente, oh! não,
Luar como esse do sertao!
Mas como é lindo ver, depois por entre o mato
Deslizar calmo, o regato, transparente como um véu,
No leito azul das suas águas, murmurando,
Ir por sua vez roubando as estrelas lá do céu!
Não há, oh gente, oh! não,
Luar como esse do sertao!
A gente fria desta terra sem poesia
Não se importa com esta lua nem faz caso do luar!
Enquanto a onça, lá na verde capoeira,
Leva uma hora inteira, vendo a lua a meditar!
Não há, oh gente, oh! não,
Luar como esse do sertao!
Coisa mais bela neste mundo nao existe
Do que ouvir um galo triste no sertão se faz luar.
Parece até que a alma da lua é que descanta,
Escondida na garganta desse galo a soluçar!
Não há, oh gente, oh! não,
Luar como esse do sertao!
Se Deus me ouvisse com amor e caridade,
Me faria esta vontade o ideal do coração.
Era que a morte a descantar me surpreendesse
E eu morresse numa noite de luar no meu sertão!!
Não há, oh gente, oh! não,
Luar como esse do sertao!

A vivência do “Catulo Sertanejo” com as noites de “Luar do Sertão” foi apenas naquele período
dos 10 aos 17 anos em que ele viveu no Ceará. Ele era na verdade um “homem de cidade”, no
entanto, cantava a natureza, nossa terra e nossa gente. Tinha o mérito de “não conhecer o
sertão porém descrevê-lo de modo admirável!".
Não se pode afirmar, no entanto, que Catulo tenha escrito alguma melodia. Era, sim poeta, e
possuía uma singular habilidade de “encaixar versos” em qualquer melodia conhecida. Não tivesse
sido a composição dos versos de Catulo, muitas dessas belíssimas músicas instrumentais teriam
caído logo no esquecimento, apesar de tão bem compostas e do indiscutível valor que possuem em
termos de melodia.
Catulo morava em uma casa bem simples, de madeira, no bairro carioca Engenho de Dentro (o mesmo
bairro onde nasceu e se criou Orlando Silva, o célebre Cantor das Multidões), residência essa à
qual deu o nome de “Palácio Choupanal”. E não se acanhava em receber visitas de grandes
nomes das Letras, das Artes e da Política. Ao falecer em 01/05/1946, já tinha assistido
à inauguração de seu busto e era uma indiscutível Glória Nacional.
Algumas composições de Catulo da Paixão Cearense:
Ai De Mim! (Catulo da Paixão Cearense)
Ao Luar (Catulo da Paixão Cearense)
Até As Flores Mentem (Catulo da Paixão Cearense - Juventino Rosas)
Caboca Bunita (Catulo da Paixão Cearense)
Clélia (Catulo da Paixão Cearense - Luiz de Souza)
Fechei O Meu Jardim (Catulo da Paixão Cearense)
Flor Amorosa (Catulo da Paixão Cearense - Callado)
Luar do Sertão (Catulo da Paixão Cearense – João Pernambuco)
Não Vê-La Mais (Catulo da Paixão Cearense - Viriato Figueira da Silva)
O Meu Ideal (Catulo da Paixão Cearense - Irineu de Almeida)
Ontem Ao Luar (Catulo da Paixão Cearense - Pedro de Alcântara)
O Que Tu És (Catulo da Paixão Cearense - Anacleto de Medeiros)
Os Olhos Dela (Catulo da Paixão Cearense - Irineu de Almeida)
Palma De Martírio (Catulo da Paixão Cearense - Anacleto de Medeiros)
Porque Eu Fui Poeta (Catulo da Paixão Cearense - José "Juca" Kallut)
Por um Beijo (Catulo da Paixão Cearense - Anacleto de Medeiros)
Quando Ela Passa (Catulo da Paixão Cearense - Mário Álvares)
Rasga o Coração (Catulo da Paixão Cearense - Anacleto de Medeiros)
Recorda-Te De Mim (Catulo da Paixão Cearense)
Sertaneja (Catulo da Paixão Cearense Ernesto Nazareth)
Talento e Formosura (Catulo da Paixão Cearense - Edmundo Octavio Ferreira) Interpretada por Paulo Tapajós (5)
Templo Ideal (Catulo da Paixão Cearense - Albertino "Carramona" Pimentel)
Tu Passaste Por Este Jardim (Catulo da Paixão Cearense - Alfredo Dutra)
U Poeta Du Sertão (Catulo da Paixão Cearense)
Vai, Meu Amor, Ao Campo Santo (Catulo da Paixão Cearense - Irineu de Almeida)
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Comendador Biguá:

O Compositor e Radialista José Ângelo de Campos, também conhecido como Comendador Biguá
nasceu em Paraguaçu Paulista-SP no dia 28/09/1924 e faleceu em Tupã-SP no dia 29/07/1974.
Tendo iniciado sua carreira na Rádio Propaganda de Paraguaçu (PRP), onde atuou como
declamador e apresentador de programa sertanejo, Biguá dedicou-se ao rádio durante a vida
inteira.

Mudou-se para a Capital Paulista em 1947 e, dois anos depois, começou a apresentar o programa
"Na Serra da Mantiqueira", na Bandeirantes. Esse programa foi criado pelos Irmãos Mota,
que o dirigiam até que o Comendador Biguá assumiu a direção do mesmo e transformou-o num líder
de audiência. Foi também nesse programa que Biguá contratou a dupla feminina que se iniciava
naquela época: as
Irmãs Galvão,
que haviam encantado o Comendador Biguá. Na foto à esquerda, Biguá e as
Irmãs Galvão.
Além da Bandeirantes, Biguá também trabalhou nas Rádios Tupi e Cultura também de São Paulo-SP.
Atuação em circo também fez parte da carreira artística de Biguá, que viajou durante cinco
anos com o "Circo Oni", da família Stuart.
Em 1954,
Zico e Zeca
gravaram a toada "Capelinha de Chico Mineiro" (Comendador Biguá - Teddy
Vieira) e, no ano seguinte, gravaram o cateretê "Desprezo" (Comendador Biguá - Priminho). E,
ainda no mesmo ano de 1955, sua valsa "Amor Passageiro" (Comendador Biguá - Teddy Vieira) foi
gravada pela dupla "Souza e Monteiro". Luizinho e Limeira também gravaram uma das mais famosas
composições do Comendador Biguá que é "Pé Na Tábua" (Ado Benatti - Luizinho - Biguá).
Algumas composições de Comendador Biguá:
Amarga Saudade (Goiá - Comendador Biguá)
Amor Passageiro (Comendador Biguá - Teddy Vieira)
Capelinha de Chico Mineiro (Comendador Biguá - Teddy Vieira)
Desprezo (Comendador Biguá - Priminho)
Desventura (Zacarias Mourão - Biguá - Zé do Rancho)
Pé Na Tábua (Ado Benatti - Luizinho - Biguá)
Santa Cruz da Serra (Benedito Seviero - Comendador Biguá)
Velha Querência (Comendador Biguá - Benedito Seviero)
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Dino Franco:

Oswaldo Franco nasceu em Paranapanena-SP no dia 08/09/1936. Na infância já ouvia no rádio
excelentes Duplas Caipiras, tais como
Tonico e Tinoco,
e
Raul Torres
e Florêncio, entre outras. Aos 12 anos trocou o trabalho na enxada pela carreira artística,
abandonando em definitivo a lavoura que era seu "ganha-pão" na época.
Na década de 50, trocou o Interior Paulista pela Capital e adotou inicialmente o nome artístico
de Pirassununga. Atuou com
Tibagi
(o mesmo que havia acabado de desfazer a dupla com Zé Marciano e que depois havia feito dupla
com
Miltinho).
Apresentava-se também no programa "Arraial da Curva Torta" (produzido e apresentado por
Ariowaldo Pires,
o Capitão Furtado).
Em São Paulo, na década de 60, cantou com diversos parceiros usando também nomes artísticos
diversos. Em 1960, por exemplo, adotou o nome artístico de Junqueira quando cantou em dupla
com Juquinha. Foram 15 parceiros com os quais Dino Franco cantou em dupla nessa década, entre
os quais Biá,
Belmonte
e Piratininga. Em 1968 adotou em definitivo o nome artístico de Dino Franco.
Em 1972, Dino Franco firmou contrato com a gravadora Chantecler como produtor e diretor da
Linha Sertaneja. Em seguida, formou a dupla com
Biá.
"Biá e Dino Franco", foi uma dupla de sucesso, sendo que Biá (ou Sabiá - Sebastião Alves de
Cunha nascido em Coromandel-MG em 1927) foi o mesmo que também fez dupla com
Palmeira.

E em 1979 Dino Franco formou dupla com Mouraí (Luiz Carlos Ribeiro que nasceu em Ibirarema-SP
no dia 19/07/1946 e faleceu em Catanduva-SP no dia 16/10/2005). "Dino Franco e Mouraí" foram
pioneiros na regravação de antigos sucessos da Música Sertaneja, tais como "Sertaneja" e "A
Volta do Caboclo".

Em seu trabalho sempre procuraram cultivar a Música Caipira Raíz e se destacaram também com
temas de inspiração ecológica, como por exemplo "Manto Estrelado" (Dino Franco - Tenente
Wanderley). Na foto ao lado, Dino Franco, à direita, de camisa vermelha, cantando juntamente
com Mouraí, ao centro, de camisa branca, no programa Viola Minha Viola em Araras-SP, que foi
ao ar no dia 25/06/2003.
Dino Franco também produziu e apresentou algumas peças teatrais juntamente com
Liu e Léu,
Abel e Caim e
Zico e Zeca.
E tem merecido destaque como excelente compositor, especialmente na Moda de Viola, com
inúmeras composições que têm sido gravadas pelas mais renomadas Duplas Caipira Raiz.
Algumas composições de Dino Franco:
A Cachaça E O Fumo (Dino Franco - Nhô Chico)
A Inflação E O Salário (Chrysóstomo - Dino Franco)
Amargurado (Dino Franco - Tião Carreiro)
A Moda Do Cachaceiro (Dino Franco - Nhô Chico)
Amor e Saudade (Dino Franco - José Milton Faleiros)
Amores Perdidos (Dino Franco - Tião Carreiro)
A Sementinha (Dino Franco - Itapuã) Interpretada por Evandro e Eduardo (10)
As Três Namoradas (Dino Franco - José Fortuna)
Berço De Deus (José Rico - Dino Franco)
Boiadeiro Da Saudade (Sebastião Ferraz - Dino Franco)
Brasil 85 (Dino Franco - Tenente Wanderley)
Caboclo Centenário (Dino Franco - Nhô Chico)
Caboclo De Sorte (Dino Franco - Tião Carreiro)
Caboclo Na Cidade (Dino Franco - Nhô Chico)
Caçada De Onça (David Vieira - Dino Franco)
Canta Canta Pantaneira (Mário Zan - Dino Franco)
Capricho Do Destino (Dino Franco)
Céu de Mato Grosso (Dino Franco - Orlando Ribeiro)
Cheiro de Relva (Dino Franco - José Fortuna)
Cusco Do Pago (Dino Franco)
Derradeira Morada (Dino Franco)
Desesperado (Dino Franco - Tião Carreiro)
Exemplo de Humildade (Dino Franco - Tião Carreiro)
Festa Pantaneira (Mário Zan - Dino Franco)
Festa Paraguaia (Mário Zan - Dino Franco)
Filho De Ninguém (José Rico - Dino Franco)
Flor Do Campo (Dino Franco)
Flor Predileta (Dino Franco - Tertuliano Amarilla)
Fonte Dos Namorados (Dino Franco)
Fundão De Serra (Dino Franco - Cláudio Rodante)
Grã Fino Na Roça (Dino Franco - Nhô Chico)
Herói Do Brasil (Dino Franco - Oswaldo de Andrade)
Homem Descrente (Dino Franco - Aparecida Mello)
Ideal do Caboclo (Dino Franco - Ari Guardião)
Inconfidência Mineira (Dino Franco - Oswaldo de Andrade)
Ingrata (Dino Franco)
Juramento (Dino Franco)
Mágoa (Dino Franco - Zeca)
Manhã Do Nosso Adeus (Zé do Rancho - Dino Franco)
Manto Estrelado (Dino Franco - Tenente Wanderley)
Mestiça Arisca De Laço (Dr. Alves Lima - Dino Franco)
Meu Erro (Dino Franco - Mococa)
Meu Passado (Dino Franco)
Meu Pequeno Itajobi (Dino Franco)
Meu Ranchinho (Sebastião Victor - Dino Franco)
Milagrosa Nossa Senhora (Tonico - Tinoco - Dino Franco)
Minha Infância (Dino Franco)
Minha Mensagem (Dino Franco - Nhô Chico)
Namoro Proibido (Dino Franco - Zezito)
Natal De Esperança (Dino Franco)
Natureza (Dino Franco)
Nossa Raiz (Dino Franco - Mouraí)
O Jeitinho Da Chica (Dino Franco)
Paineira Velha (Dino Franco - Juquinha)
Passos Na Calçada (Dino Franco)
Pombinha Mensageira (Belmonte - Dino Franco)
Pousada De Boiadeiro (Dino Franco - Tião Carreiro)
Primeira Ilusão (Dino Franco)
Punhal Da Falsidade (Dino Franco - Tião Carreiro)
Quando A Saudade Machuca (Dino Franco)
Regresso (Dino Franco)
Rei Da Capa (Dino Franco)
Retrato Do Boi Soberano (Dino Franco)
Travessia Do Araguaia (Dino Franco - Dicró dos Santos)
Trova Campeira (Jorge Neves - Cândido - Dino Franco) Interpretada por Vilson e Valdir (4)
Um Pouco De Minha Vida (Dino Franco)
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Elpídio dos Santos:

Elpídio dos Santos nasceu em
São Luiz do Paraitinga-SP,
em 14/01/1909 e faleceu a 03/09/1970. Filho de Benedito Alves que era maestro da Banda Santa
Cecília, na mesma cidade, foi nesse ambiente “saudavelmente contaminado pela música”, que
Elpídio dos Santos passou a infância, a adolescência e o início de sua juventude e descobriu
o gosto pelas harmonias, ritmos e melodias.
Elpídio trabalhou como apontador de jogo do bicho, funcionário de cartório e bancário. A Arte
Musical, porém, já estava incorporada à sua vida. Elegeu o Violão como seu instrumento
preferido, apesar de também tocar com destreza outros instrumentos de cordas e também de
sopro.
Foi também em São Luiz do Paraitinga que Elpídio conheceu
Amácio Mazzaropi,
que não era até então conhecido pelo grande público e que viera se apresentar num circo. Depois
do primeiro espetáculo, Elpídio dos Santos tocou Violão a noite inteira e, a partir dali,
ficaram amigos até a morte. Quando
Mazzaropi
começou a produzir seus filmes, chamou Elpídio para encarregar-se das trilhas sonoras. Elpídio
foi realmente o compositor preferido de
Mazzaropi,
e era sempre convidado para criar as músicas específicas para cada filme, muitas das quais eram
cantadas pelo próprio
Mazzaropi.
Casado com Cinira Pereira dos Santos, mudou-se para São Paulo, para onde havia sido transferido
pelo banco onde trabalhava. Mesmo trabalhando em período integral, não parou de compor nem de
dar aulas de Violão. Em São Paulo, estudou na Escola Paulista de Canto Orfeônico.
Elpídio faleceu em 03/09/1970, deixando mais de mil composições as quais são preservadas e
divulgadas pelos seus filhos, que também são responsáveis pelo Grupo Paranga, que vem fazendo
um importante trabalho de resgate da produção musical do Vale do Paraíba.
Elpídio teve diversas composições gravadas não só pelo
Mazzaropi,
mas também por intérpretes consagrados tais como
Cascatinha e Inhana,
Titulares do Ritmo,
Irmãs Galvão,
Tonico e Tinoco,
Sérgio Reis,
Almir Sater e
Pena Branca e Xavantinho, dentre outros.
Algumas composições de Elpídio dos Santos:
Alma Solitária (Elpídio dos Santos)
Cai Sereno (Rama Da Mandioquinha) (Conde - Elpídio dos Santos)
Coração De Mineiro (Elpídio dos Santos - Zé Pagão)
Despertar Do Sertão - (Elpidío dos Santos - Pádua Muniz)
Dona Do Salão (Elpídio dos Santos - Conde)
Dor Da Saudade (Elpídio dos Santos)
Fogo no Rancho (Elpídio dos Santos – Anacleto Rosas Jr.)
Ingratidão (Elpídio dos Santos)
Jeca Magoado (Elpídio dos Santos)
Lamparina Do Nordeste (Elpídio dos Santos)
Longe Dos Olhos (Armando Neves - Elpídio dos Santos)
Menina De Escola (Elpídio dos Santos)
Meu Burrinho (Elpídio dos Santos)
O Lingüiceiro (Elpídio dos Santos)
Rede De Tabôa (Elpídio dos Santos)
Sopro Do Vento (Elpídio dos Santos)
Você Vai Gostar (Lá no Pé de Serra) (Elpídio dos Santos)
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Ely Camargo:
"No Brasil, entre esses raros artistas dedicados à tarefa de levar o canto das grandes
camadas à gente tão desinformada das cidades, está a cantora Ely Camargo. Desde seu
primeiro LP - muito significativamente intitulado "Canções de Minha Terra" - o que Ely
Camargo tem feito, e agora confirma neste CD que todos teremos prazer em ouvir, é exatamente
isto: fazer cantar por sua voz, tão cheia de emoção, de sonoridade, a voz anônima do povo
que, apesar de tudo, canta e traduz no seu canto a alma da própria terra."
(comentário de José Ramos Tinhorão no texto do encarte do CD
"Cantigas do Povo - Água da Fonte",
lançado pelas
"Paulinas Comep - Edições Paulinas"
- CD 12235-1 de 1999).
A Música Folclórica do Estado de Goiás não poderá jamais ser citada sem incluir o nome de sua
maior representante que é a Folclorista Ely Camargo.
Cantora, Pesquisadora de Folclore, Violonista, Professora e Farmacêutica, Ely Camargo é uma das
principais intérpretes do riquíssimo Folclore Brasileiro. Nasceu no dia 12/02/1930 na cidade de
Goiás-GO (a antiga e histórica capital do Estado, também conhecida como "Goyaz Velho", que
também é a cidade natal da Cora Coralina!) e é filha de Joaquim Edison Camargo (1900-1966) que
foi Maestro da Orquestra Sinfônica de Goiânia-GO.
Durante a infância cantou em coros de Igreja. Foi integrante em 1960 do Trio Guairá de Goiânia
e em 1961 e 1962, apresentou-se na Rádio Brasil Central de Goiânia-GO em programa que era
por ela produzido e que também era retransmitido em Brasília pela Rádio e TV Nacional.
Em 1962, passou a morar na Capital Paulista onde assinou seu primeiro contrato com a
extinta TV Tupi e, no mesmo ano, gravou o já mencionado LP "Canções da Minha Terra"
pela gravadora Chantecler.
Em 1964, gravou o LP "Folclore do Brasil" no qual interpretou Cantos de Trabalho nas Plantações
de Arroz, de São João da Boa Vista-SP, e também um Canto de Ferreiro, de Botucatu-SP.
Pesquisando folclore, reuniu enorme e riquíssimo acervo que Ely coletou em viagens pelo
Norte e Nordeste.

Além de alguns "compactos", Ely Camargo gravou cerca de 15 LP's, alguns dos quais foram lançados
também em países como África do Sul, Alemanha, Itália e Portugal.
Integrou também o Conselho da Secretaria Municipal de Cultura de Goiânia-GO e, na Rádio da
Universidade Federal de Goiás, Ely Camargo apresentou os programas "Brasil de Canto a Canto",
"Eli Camargo Convida" e "Alma Brasileira".
Em 1978 lançou pela gravadora Chantecler/Alvorada o LP "Minha Terra", o qual foi bastante
elogiado por José Ramos Tinhorão no Jornal do Brasil.
Um dos maiores sucessos de Ely Camargo como compositora foi sem dúvida "O Menino e o Circo",
que ficou conhecida nas belíssimas vozes de
Cascatinha e Inhana,
gravação que está presente na 15ª faixa do CD "Meio Século de Música Sertaneja - Volume 02" da
BMG (gravação original RCA).

No final dos anos 1990, Ely Camargo passou a trabalhar na Secretária Municipal de Cultura de
Goiânia-GO. Seus trabalhos mais recentes são os CD's
"Cantigas do Povo - Água da Fonte"
(que conta com a participação especial da Banda de Pífanos de Caruaru e de um Coral regido
por Sérgio Vasconcellos Corrêa), lançado em 1999 pelas "Edições Paulinas" e "Lembranças de
Goyaz", um "disco-tributo" que Ely gravou em 2001 por ocasião do centenário de nascimento
de seu pai.
Não podemos nos esquecer, no entanto, dos diversos LPs que Ely Camargo gravou, os quais esperamos
que sejam remasterizados e lançados em CD o mais breve possível, dada a importância fundamental
da compositora para o Riquíssimo Folclore Brasileiro!
Algumas composições de Ely Camargo:
Bendito de Santa Luzia (Juazeiro do Norte-CE - temas recolhidos e adaptados por Ely Camargo)
Cantiga de Mendiga (Palmeira dos Índios-AL - temas recolhidos e adaptados por Ely Camargo)
Deus Te Salve A Casa Santa (Goiás-GO - temas recolhidos e adaptados por Ely Camargo)
O Menino e o Circo (Ely Camargo)
Reizado (Ely Camargo)
Pastorinhas (Pirenópilis-GO - temas recolhidos e adaptados por Ely Camargo)
Puxada do Mastro de São Sebastião (Ilhéus-BA - temas recolhidos e adaptados por Ely Camargo)
Que Noite Tão Bonita (Nova Resende-MG - temas recolhidos e adaptados por Ely Camargo)
Reizado (Ely Camargo)
Reizado de Alagoas (Maceió-AL - temas recolhidos e adaptados por Ely Camargo)
Santos Reis (recolhido e adaptado por Ely Camargo)
25 de Dezembro (Goiás-GO - temas recolhidos e adaptados por Ely Camargo)
Para Contato:
(62) 215-5176
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Genésio Tocantins:

Genésio Sampaio Filho é Compositor e também Cantador, nascido em Goiatins-TO, à beira do Rio
Tocantins onde, com seu pai (Genésio Sampaio Rodrigues que era lavrador, trovador e
cordelista), aprendera a entoar os primeiros versos nas feiras locais.
Quanto a essas feiras, Genésio, por sinal, considera-as importantíssimas para a Cultura
Popular, já que, segundo ele,
"... sua inspiração musical vem de um Universo Cultural
formado pela convivência com artistas populares, repentistas e cantadores, que fazem das
feiras uma explosão de Cultura Popular, apresentada por diferentes linguagens”.
Ainda menino, Genésio seguiu,
"no lombo de animais", rumo a Araguaína-TO, às margens da
rodovia Belém-Brasília, numa comitiva com mais de vinte famílias que seus pais haviam
organizado. E foi nessa cidade que Genésio começou seus estudos básicos, continuando-os
mais tarde em Ceres-GO.

Aprendeu sozinho o toque do Violão; desde criança, estava decidido e queria ser artista.
Quanto ao seu gosto musical, Genésio o atribui à sua mãe, pois ela o levava com freqüência
às Rodas de Folias, onde ele ouvia as Rezas, os Benditos, os Cantos do Divino e, como não
poderia deixar de ser, o Forró, que sempre acontecia após as Orações...
Genésio Tocantins iniciou sua carreira artística participando de diversos festivais regionais
e também por todo o Brasil. Dentre os prêmios conquistados, destaca-se o Prêmio Sharp de 1989 e
o Prêmio Fiat de 1990.
E foi no "Festival Novos Talentos", com início em Março de 2000, que Genésio Tocantins,
defendeu a famosíssima composição de
Juraíldes da Cruz
"Nóis É Jeca Mais é Jóia", em ritmo de Forró, que é uma crítica bem humorada a certos
preconceitos que muita gente tem com relação ao Caipira e ao seu linguajar. O compositor
Juraíldes da Cruz
também havia ganho o Prêmio Sharp com essa composição em 1997.
No mesmo ano de 2000, Genésio foi classificado para as eliminatórias do Festival da Música
Brasileira promovido pela Rede Globo, do qual participou com sua composição "Baião Internauta",
feita em parceria com Beirão.
Como compositor, Genésio Tocantins possui composições em parceria com
Juraíldes da Cruz,
Braguinha Barroso, Wanda D'Almeida, Hamilton Carneiro, João Gomes, Beirão, Salgado Maranhão e
Telma Tavares.
E, como intérprete, Genésio gravou em 1988 o seu primeiro disco, o LP "Rela Bucho", pela
RGE (hoje Som Livre), disco esse que lhe conferiu no ano seguinte II Prêmio Sharp de Música,
ocasião na qual recebeu o Troféu Ano Dorival Caymmi na categoria Revelação da Música
Regional Brasileira.
Genésio também gravou os CD's "U-Cantante", pela Gravadora Mercosom e "Brasis - As Canções e o
Povo", pela Gravadora Brasis, além de um "single" que contém a famosa composição humorística de
Juraíldes da Cruz
"Nóis É Jeca Mais É Jóia", já mencionada logo acima.
Genésio também gravou algumas músicas junto a excelentes intérpretes tais como Fagner,
Pena Branca e Xavantinho e
Rolando Boldrin,
entre outros.

O trabalho musical de Genésio Tocantins, no entanto, não consiste apenas em compor e
interpretar. Também é apaixonado pela pesquisa e produção musical. Para a FIETO - Federação
das Indústrias do Tocantins, Genésio é personagem fundamental para a conservação e divulgação
da Riqueza Cultural de seu povo, guardada na memória e nos sentimentos da gente de sua terra.

Genésio Tocantins é também Presidente da Comissão Provisória da Ordem dos Músicos do
Brasil - Seccional Tocantins (OMB–TO). Nesse cargo, desenvolve um trabalho muito importante
com relação ao combate da "pirataria". Para Genésio,
“A pirataria tanto é
prejudicial do ponto de vista econômico como do ponto de vista da imagem de quem consome.
Do primeiro porque está lesando as pessoas que estão fazendo um trabalho original; do
segundo, porque a pessoa que compra um CD pirata, muitas vezes, se sente constrangida quando
alguém descobre.”
Clique aqui
e veja na íntegra esse interessante artigo publicado no Jornal
O Girassol.

E, também o jovem Estado do
Tocantins,
criado em 1988, situado no centro do Brasil, a Norte do Estado de Goiás, ao lado
da Região Nordeste Brasileira (um grande mercado consumidor) e praticamente vizinho da
Região Amazônica (a maior reserva de recursos naturais do mundo), tem seu Hino
composto por esse Tocantinense chamado Genésio Tocantins!
Algumas composições de Genésio Tocantins:
Aliança (Juraildes da Cruz - Genésio Tocantins)
Baião Internauta (Genésio Tocantins - Beirão)
Beijo Transparente (Genésio Tocantins)
Destino Sanfoneiro (Genésio Tocantins - João Gomes)
Estação Saudade (Genésio Tocantins)
Festança (Genésio Tocantins)
Hino ao Tocantins (Genésio Tocantins) Interpretada por
Genésio Tocantins (7)
Rela Bucho (Genésio Tocantins)
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Goiá:

Gerson Coutinho Da Silva (Goiá), filho de Celso Coutinho da Silva e Margarida Rosa de Jesus, nasceu em Coromandel-MG em 11/01/1935 e faleceu em Uberaba-MG em 20/01/1981. Desde pequeno, com apenas 4 anos de idade, já gostava de recitar uns versinhos e gostava de “receber um cachê" que podia ser um doce ou um queijinho...
Até que ganhou do pai uma gaita de boca, que foi sua companheira por vários anos; trocou-a mais tarde por um cavaquinho; e finalmente conseguiu ganhar um Violão de tarrachas, que era o que mais desejava.
Foi para Goiânia-GO em 1953 onde morou por dois anos, e formou o "Trio da Amizade", com programas diários na Rádio Brasil Central. Goiá e os componentes desse trio foram os primeiros do Estado de Goiás a gravar discos na Capital Paulista (foram dois discos 78 RPM na Columbia).
Apesar de gostar muito de Coromandel-MG, sua cidade natal no Triângulo Mineiro, fora da qual
não suportava passar mais que dois meses, Goiá tinha um carinho todo especial pelo Estado de
Goiás, principalmente por sua capital Goiânia, onde fez grandes amizades.
E em 1955, um novo rumo: a Capital Paulista, para onde partiu com lágrimas nos olhos, mas Goiá estava ciente da importância dessa grande Metrópole para o desenvolvimento de sua carreira artística.
Durante toda essa trajetória, pelas cidades por onde passou, Goiá compunha suas músicas, nas quais chorava a saudade de sua terra, apesar de ter em mente um ideal que, como tal, exigia sacrifícios. Longe de sua Coromandel e sua gente, era esse, sem dúvida, o maior sacrifício para Goiá.

Na Paulicéia Desvairada, fez parte do elenco de diversas emissoras de rádio e suas
composições foram gravadas por diversos intérpretes consagrados, entre eles,
Pedro Bento e Zé da Estrada,
Liu e Léu,
Irmãs Galvão,
Zilo e Zalo,
Caçula e Marinheiro,
Tibagi e Miltinho,
Primas Miranda,
Belmonte e Amaraí,
Sergio Reis,
Celia e Celma,
e muitos outros.
Também é de autoria de Goiá a trilha sonora composta para o filme "A Vingança de Chico Mineiro", embora, ao que conste, ele pouquíssimo recebeu por um trabalho de tão boa qualidade.
E, a partir de 1971, a doença debilitava-o cada vez mais: a diabete e a cirrose hepática em conjunto, levaram-no ao falecimento em Uberaba-MG, no dia 20/01/1981, quando contava apenas 46 anos e 9 dias. Foi sepultado no Cemitério Municipal de Coromandel, sua cidade-natal onde sempre foi muito bem recebido.
Uma consideração interessante sobre seu grande sucesso “Saudade da Minha Terra": corria o mês de Novembro de 1955. Goiá escreveu a música logo que se transferiu de Goiânia-GO para São Paulo-SP. Com saudade de Coromandel-MG, sua terra natal, vagava pelas ruas dessa grande metrópole, recordando seus tempos de infância, as poéticas madrugadas, o cantar da passarada... Alguns anos mais tarde, quando foi gravada pela primeira vez (hoje existem cerca de quarenta regravações) ele ficou surpreso com o sucesso alcançado. Segundo Goiá, “quem “chorava com o rádio ligado" era a sua mãe”!
Clique aqui
e veja algumas fotos de Coromandel-MG, cidade natal de Goiá, no site da
CompucenterNet.
"...E onde estão meus estimados companheiros?
Se foram tantos Janeiros desde que deixei meus pais...
Adeus Lagoa Poço Verde da Esperança,
Meu Tempinho de criança que não volta nunca mais..."
E abaixo, uma foto da Lagoa "Poço Verde", que Goiá imortalizou em sua música
"Recordação (Goiá - Nenete):
Algumas composições de Goiá:
Adeus Maria (Goiá - Sebastião Victor)
Alma Triste (Goiá - Chico Vieira)
Amada Ausente (Goiá - Zacarias Mourão)
Amarga Saudade (Goiá - Comendador Biguá)
Amor E Felicidade (Zacarias Mourão - Goiá)
Aurora Do Mundo (Goiá)
Canção Do Meu Adeus (Goiá - Zé Claudino)
Carta de Filho (Goiá - Plínio Alves)
Chorarei Ao Amanhecer (Goiá - Amir)
Copo na Mesa (Zacarias Mourão - Goiá)
Desilusão (Goiá - Pirajá)
Dias Mais Tristes Da Vida (Goiá)
Dois Artistas (Goiá)
Duelo De Amor (Goiá - Benedito Seviero)
Entardecer Da Vida (Goiá - José Neto)
Esquina Do Adeus (Goiá)
Estrela Dourada (Goiá - Mizael)
Estrela Guia (Goiá - Sebastião Victor)
Feitiço Espanhol (Zacarias Mourão - Goiá)
Flor Do Lodo (Goiá - Biá)
Gente de Minha Terra (Goiá - Amir - Pereirinha)
Índia Misteriosa (Goiá - Chico Vieira)
Índia Soberana (Zacarias Mourão - Goiá)
Juriti Mineira (Zacarias Mourão - Goiá)
Lamento (Goiá - Zacarias Mourão)
Lamento De Uma Saudade (Goiá - Zilo)
Lição De Caboclo (Goiá - Julião Saturno)
Mais Uma Noite Vou Dormir Sem Meu Bem (Goiá - Waldemar de Freitas Assunção)
Mares Da Ilusão (Goiá - Zalo)
Mensagem De Amor (Goiá - Zalo)
Meu Natal Sem Mamãe (Goiá - Sebastião Aurélio)
Nas Curvas Do Seu Corpo Capotei Meu Coração (Goiá - Amir)
Nossa Mensagem (Goiá)
O Adeus Do Meu Bem (Goiá - Tomaz)
O Mártir Do Calvário (Goiá - Bie)
Outra Noite Sem Meu Bem (Goiá - Waldemar de Freitas Assunção)
Paraná Querido (Paulinho Gama - Goiá)
Paraguaia Da Fronteira (Goiá);
Pecado Loiro (Zacarias Mourão - Goiá)
Pé de Cedro (Goiá - Zacarias Mourão) Interpretada por Tetê e Alzira Espíndola (5)
Poço Verde (Goiá - Taubaté)
Poente da Vida (Goiá - D. Thomaz)
Recordação (Nenete - Goiá) Interpretada por Celia e Celma (8)
Sabe Deus (Sebastião Victor - Goiá)
Saudade Cruel (Goiá - Zalo)
Saudade da Minha Terra (Goiá - Belmonte)
Saudade de Goiás (Goiá - Amaraí)
Sem Ela Não Sei Viver (Goiá - Zilo)
Sonho De Criança (Goiá)
Tardes Morenas de Mato Grosso (Goiá - Valderi)
Travessa da Amizade (Goiá - Sebastião Victor)
Triste Abandono (Goiá - Zacarias Mourão)
Uai (Goiá)
Um Abraço, Um Adeus (Goiá - Amir)
Visita a Goiás (Goiá - Sidon Barbosa)
Volta Ao Passado (Goiá - Antônio Marani)
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Jeca Mineiro:

Conhecido principalmente pelo mega sucesso do "Fuscão Preto" (Jeca Mineiro - Atílio Versutti),
José Silva, também conhecido como Jeca Mineiro, além do "Fuscão Preto", é autor
de diversas obras primas no repertório Caipira Raiz, como por exemplo "Não Beba Mais Não"
(Jeca Mineiro - Orlandinho) e "A Dama de Vermelho" (Jeca Mineiro - Ado Benatti).
Nascido em Arceburgo-MG no dia 04/09/1913, criado junto de Violeiros e Catireiros, pode-se dizer
que sua carreira artística se iniciou quando contava com apenas 10 anos de idade, quando passou
a tocar viola e cantar em reuniões festivas. E, aos 15 anos, ganhou de sua avó uma Viola; por
essa época, mudou-se para São José do Rio Pardo-SP, onde continuou a se apresentar em festas.
Em 1946 passou a residir em São Paulo SP, onde formou dupla com Chico Carretel, apresentando-se
na Rádio Cruzeiro do Sul. A dupla logo se desfez e, em 1947, Jeca Mineiro formou uma nova
parceria com Motinha e, com ele, passou a atuar no programa "Serra da Mantiqueira", na Rádio
Bandeirantes de São Paulo.
Sua primeira composição foi "Boiadeiro Paulista", a qual foi composta em 1948 e gravada no
ano seguinte pela dupla "Zé Pagão e Nhô Rosa", na gravadora Continental.
De 1949 a 1965, Jeca Mineiro formou dupla com Mineirinho. Nessa época, gravou, como intérprete,
seu primeiro disco 78 RPM. A dupla também gravou na Copacabana diversos sucessos, dentre eles,
os rasqueados "Perfume de Meu Bem" (Jeca Mineiro) e "Mulher Ciumenta" (Palmeira - Nonô Basílio).
Em 1955, formou-se o Trio "Jeca Mineiro, Bambuí e Pirajá", que gravou, entre outras, a toada
"Filho de Ninguém" (José Fortuna), e a moda de viola "Moda das Duplas" (Piraci).
No início da década de 1960 Jeca Mineiro passou a cantar em dupla com Nininha; e o primeiro
disco da nova dupla incluiu a canção rancheira "Meu Diário" (Jeca Mineiro - Teixeira Filho),
e também a guarânia "Quem É Que Não Sente" (Jeca Mineiro - José Russo).
Jeca Mineiro teve diversas de suas composições gravadas por gente de renome, como por
exemplo, "
Nonô e Naná",
Liu e Léu,
Zilo e Zalo,
Tonico e Tinoco
e Gaúcho da Fronteira, apenas para citar alguns exemplos. E "Paiozinho e Zé Tapera" gravaram o
bolero "A Dama de Vermelho" (Jeca Mineiro - Ado Benatti), que foi um dos maiores sucessos de
sua autoria e um dos clássicos do repertório sertanejo, que também foi gravado por
Pedro Bento e Zé da Estrada.
Além da Cruzeiro do Sul e da Bandeirantes, a Rádio Cultura de São Paulo também teve o programa
"Lá No Pé Da Serra" apresentado por Jeca Mineiro.
Jeca Mineiro também chegou a cantar em dupla com Luizinho (Luís Raymundo, nascido em
São Paulo-SP em 1916 e falecido também em São Paulo-SP em 1983 - o mesmo que também já formou
dupla com
Palmeira
e também com Limeira além de ter composto em parceria com
Teddy Vieira
o célebre cururu "Menino da Porteira").
Em 1968 Jeca Mineiro parou de cantar por recomendações médicas e passou a atuar somente como
compositor.

E foi em 1978 que Jeca Mineiro compôs, juntamente com o pintor de placas e cartazes Atilio
Versuti, o famosíssimo "Fuscão Preto", que se tornou um verdadeiro fenômeno na música sertaneja.
"Giovanti e Mariel" foram os primeiros a gravar a música, o que foi feito numa prensagem
particular.

Em 1980, o trio mineiro "Vandeirante, Zé Batista e Darlon" (foto à direita) gravou o "Fuscão Preto"
numa pequena gravadora. E, no final do mesmo ano, Zé Tapera e Teodoro também gravaram o "Fuscão
Preto" pela RCA. Gravações essas que não fizeram sucesso e passaram desapercebidas.
Em 1982, no entanto, o "Fuscão Preto" começou a ficar famoso quando foi regravado pelo Trio
"Os Gladiadores", com o qual vendeu mais de 100 mil cópias. E, para aumentar ainda mais a
vendagem, Almir Rogério também gravou o "Fuscão Preto" e, na voz dele, chegou a vender mais
de 700 mil cópias.
A partir de então, o sucesso alavancou até mesmo no exterior! Nos Estados Unidos, por exemplo,
foi gravada com o título "Black Mustang" e na Itália, com o nome "Fiat Nero". A música
também "virou filme" dirigido por Jeremias Moreira Filho, com as participações de Almir
Rogério e Xuxa Meneghel (que mais tarde passou a ser a famosíssima "Rainha dos Baixinhos"). E
ganhou também uma versão humorística num
inglês errado e com sotaque brega feita pelo
Falcão ("Black People Car").
Também não faltam controvérsias sobre o "Fuscão Preto": de acordo com Moacyr Custódio
(Jornalista e radialista, amigo pessoal de Atílio Versutti) no jornal
Notícias de Itaquera,
Giovanti (já falecido) e Mariel (a dupla que gravou a música pela primeira vez, conforme já
mencionado) trabalhavam como pintores na cidade de Serra Negra-SP em 1975 e viam diariamente
uma mulher casada que por ali passava freqüentemente num Fusca preto, com um homem que, de
acordo com as "fofocas de boteco", não era o marido dela.
Em São Paulo, a dupla contou o fato ao compositor Atílio Versutti, natural de São José do
Rio Preto-SP, pintor de placas e cartazes, que começou a compor algumas músicas em 1976.
Atílio morava há mais de dez anos na Capital Paulista e, juntamente com Giovanti e Mariel,
começou a escrever a introdução
“Me disseram que ela foi vista com outro, num fuscão preto
pela cidade a rodar...”. Mariel compôs a melodia e a música foi incluída no LP que a
dupla preparava e que, por sinal, recebeu o nome de “Fuscão Preto”.
E, ainda segundo Moacyr Custódio, para conseguir que o disco fosse gravado, Atílio Versutti
se viu obrigado a dividir a autoria da música com Jeca Mineiro que era diretor da Continental.
Tal fato, apesar de lamentável é muito comum no meio artístico.
Não se sabe ao certo da veracidade da estória desse adultério em Serra Negra que teria inspirado
a composição do "Fuscão Preto", mas o fato é que ela foi relatada diversas vezes tanto por
Atílio Versutti como também por Mariel, de acordo com Moacyr Custódio no jornal Notícias de
Itaquera.
Seria "Fuscão Preto" o "divisor de águas" entre a Música Caipira e o
"breganejo e
sertanojo"? Na época, o "Trio Parada Dura" e as duplas "Léo Canhoto e Robertinho" e
"Milionário e José Rico"
já atingiam também mega-vendagens com seus discos, apesar de que
tal faturamento ainda era pouco comparado com o que viria depois com as duplas "Chitãozinho
e Xororó", "Leandro e Leonardo" e "Zezé di Camargo e Luciano", que ainda não eram conhecidas
(apenas "Chitãozinho e Xororó" que eram iniciantes já começavam a ter algum sucesso nas
paradas). O fato é que essa famosíssima composição atribuída a Jeca Mineiro e Atílio Versutti
foi (e ainda é) um mega-sucesso que quebrou records de vendas, equiparados, na
época, por exemplo, ao "Coração de Luto"
(Teixeirinha),
lançada 1961.
Algumas composições de Jeca Mineiro:
A Dama de Vermelho (Jeca Mineiro - Ado Benatti)
A Fumaça Do Cigarro (Jeca Mineiro - Carlos Gil)
Alma do Ferreirinha (Jeca Mineiro - Zilo)
Amar Não É Crime (Jeca Mineiro - Paiozinho)
Baile Gaúcho (Jeca Mineiro - Milton Cristofani)
Boiadeiro Paulista (Jeca Mineiro)
Caboclo de Fato (Jeca Mineiro - Kambukira)
Eterno Apaixonado (Jeca Mineiro - Labareda)
Felicidade de Matuto (Jeca Mineiro - Professor Gilson)
Flor Dos Meus Sonhos (Jeca Mineiro - Rochedo)
Folia de Santo Rei (Tonico - Jeca Mineiro)
Força do Destino (Jeca Mineiro - Ado Benatti)
Fuscão Preto (Jeca Mineiro - Atilio Versuti)
Ilusão Perdida (Jeca Mineiro - Maria Terezinha)
Já Encontrei a Solução (Jeca Mineiro - J. Ribeiro)
Lembranças Que O Tempo Não Apaga (Luiz de Castro - Jeca Mineiro)
Mãezinha Feliz (Jeca Mineiro - José Fortuna)
Mandamento Sagrado (Jeca Mineiro - Sebastião Vitor)
Meu Diário (Jeca Mineiro - Teixeira Filho)
Meu Sabiá (Jeca Mineiro - Atilio Versuti)
Minas Gerais (Jeca Mineiro - Moreno)
Minha Secretária (Jeca Mineiro - Iray de O. Machado)
Não Beba Mais Não (Jeca Mineiro - Orlandinho)
Pé Vermelho (Pedro Ornellas - Jeca Mineiro)
Perfume de Meu Bem (Jeca Mineiro)
Quem É Que Não Sente (Jeca Mineiro - José Russo)
Remorso (Jeca Mineiro - Benedito Seviero)
Saudade Não Levarei (Jeca Mineiro - Iray de O. Machado)
Sem Você Eu Não Sou Nada (Jeca Mineiro - Atílio Versutti)
Sonhando Acordado (Jeca Mineiro - Chico Lau)
Traidor (Jeca Mineiro - Piraci)
Vamos Cantar E Sorrir (Antônio R. Pereira - Jeca Mineiro)
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Jesus Belmiro:

Jesus Belmiro Mariano nasceu em Taiaçu-SP no dia 10/05/1943.
Foi em 1969, aos 26 anos de idade, que Jesus Belmiro iniciou como compositor. E, após se aposentar como Primeiro Sargento
da Polícia Militar, passou a dedicar mais tempo à composição. As letras por ele compostas vêm sendo disputadas por
diversos Violeiros de todo o Brasil.
Como exemplo, podemos citar algumas composições musicais com belíssimas letras de sua autoria, como por exemplo "Viola
Vermelha" (Jesus Belmiro - Tião Carreiro), que homenageia o Florêncio, célebre parceiro do
Raul Torres,
além de "Fazenda São Francisco (Maior proeza)" (Jesus Belmiro - Paraíso) e "Preto Velho" (Jesus Belmiro - Tião Carreiro -
Lourival dos Santos), que estão entre seus maiores sucessos.

Jesus Belmiro compõe em parceria com diversos renomados compositores tais como
Paraíso,
Tião do Carro,
Zé Goiano, Vicente P. Machado,
Lourival dos Santos,
Cacique,
João Mulato,
Tião Carreiro,
Dino Franco,
Ronaldo Adriano, Benedito Seviéro,
Carreirinho,
e muitos outros.
E suas composições têm sido gravadas por excelentes intérpretes do quilate de
Tião Carreiro e Pardinho,
Zilo e Zalo,
Zé do Rancho e Zé do Pinho,
Liu e Léu,
Zico e Zeca,
Eli Silva e Zé Goiano,
Irmãs Galvão,
Zé do Cedro e Zé do Pinho e
Dino Franco e Mouraí,
apenas para citar alguns.

Jesus Belmiro continua "na estrada" e reside atualmente em Monte Alto-SP, cidade interiorana da qual ele desfruta, longe
das agitações e tribulações dos grandes centros urbanos.
E, ao contrário da maioria dos Compositores e Poetas homenageados nessa página, há pouquíssima informação disponível sobre
Jesus Belmiro. Seus dados biográficos, bem como a segunda foto, foram encontrados somente na excelente
Revista Viola Caipira (Edição de Nº 11 - Maio e Junho/2005);
e a primeira foto (no início do resumo biográfico) foi fornecida pelo Radialista, Produtor e Pesquisador
Maikel Monteiro
que possui um excelente conhecimento sobre a trajetória de diversos compositores e intérpretes da Música Caipira Raiz (ver referências bibliográficas no final dessa página).
Algumas composições de Jesus Belmiro:
A Força Do Amor (Jesus Belmiro - Paraíso)
A Loira Do Caixa (Tião do Carro - Jesus Belmiro)
A Loura Do Carro Branco (Jesus Belmiro - Paraíso)
Amo Você (Jesus Belmiro - Paraíso)
Barba Azul (Jesus Belmiro - Zé Goiano)
Boiada Da Saudade (Jesus Belmiro - Paraíso)
Cabelos Cor De Mel (Jesus Belmiro - Teodoro)
Cerne De Aroeira (Lourival dos Santos - Jesus Belmiro - Vicente P. Machado)
Chão Sagrado (Jesus Belmiro - Zé Goiano)
Couro Grosso (Jesus Belmiro - Zé Goiano)
Dever Do Policial (Jesus Belmiro - Tião Carreiro)
Diamante Verde (Jesus Belmiro - Juliana Andrade)
Gente Invejosa (Jesus Belmiro - José Victor)
Fazenda São Francisco (Maior proeza) (Jesus Belmiro - Paraíso)
Filha do Barbeiro (Jesus Belmiro - Mococa)
Filha Do Caminhoneiro (Edson Bellodi - Paraíso - Jesus Belmiro)
Fonte Dos Prazeres (Jesus Belmiro - Tião Carreiro)
Força Infinita (Jesus Belmiro - Paraíso)
Homem De Fibra (Eli Silva - Jesus Belmiro)
Idolatro Quem Me Ama (Jesus Belmiro - Edson Belodi)
Índio Pataxó (Cacique - Jesus Belmiro)
Intervenção Divina (João Mulato - Jesus Belmiro)
Joio No Trigo (Jesus Belmiro - Geraldo L. Mendes - Cacique)
Justiça Divina (Jesus Belmiro - Julinho - Tião Carreiro)
Mina De Ouro (João Mulato - Jesus Belmiro)
Mineirinha De Fibra (Jesus Belmiro - Tião Carreiro - Lourival dos Santos)
Mosca Branca (Cacique - Jesus Belmiro)
Novo Amor (Jesus Belmiro - Lourival dos Santos)
O Milagre da Traição (Jesus Belmiro - Caim)
Por Isso Estou Com Ela (Jesus Belmiro - Zé Goiano)
Preto Velho (Jesus Belmiro - Tião Carreiro - Lourival dos Santos)
Prova De Fogo (Joselito - Jesus Belmiro)
Pulover De Lã (Jesus Belmiro - Paraíso)
Relembrando Tião Carreiro (Jesus Belmiro - Paraíso)
Rodeio Do Amor (Jesus Belmiro - Paraíso)
Sangue De Índio (Eli Silva - Jesus Belmiro - Zé Goiano)
Saudade Me Fez Voltar (Jesus Belmiro - Tião Carreiro)
Sonho De Saudade (João Mulato - Jesus Belmiro)
Velho Poeta (Zacarias Falseti - Benedito Falseti - Jesus Belmiro)
Veneno Da Mentira (Jesus Belmiro - Tião Carreiro)
Viola Vermelha (Jesus Belmiro - Tião Carreiro)
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José Fortuna:

Nasceu em Itápolis-SP em 02/10/1923 (alguns biógrafos citam como 1917 o ano de nascimento de José Fortuna) e faleceu em São Paulo no dia 10/11/1983. Já compunha desde criança, quando acompanhava seu pai na lavoura e escrevia versos com um pedaço de madeira no chão de terra.
Considerado por muitos estudiosos como um dos melhores letristas da nossa Boa Música Brasileira, José Fortuna também era o compositor preferido de
Cascatinha.
Sua primeira composição "Moda das Flores" (em parceria com
Raul Torres)
foi gravada em 1944 pelos "Três Batutas do Sertão", (
Raul Torres, Florêncio e Rielli).

Em 1947 formou juntamente com seu irmão Euclides Fortuna (também de Itápolis, nascido em 1928) a famosa dupla "Zé Fortuna e Pi